Ah!… a CHUPETA… Quando retirá-la?

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Ah! a CHUPETA…

Quando deve ser retirada a chupeta?

Antes de responder a esta pergunta, penso que devemos formular outra: “o que leva ao uso da chupeta?”.

O uso da chupeta é muito antigo. Há estudos que apontam para o uso de objetos para o bebê sugar e acalmá-lo desde a Idade Média (sec. XV). Eram feitas, pelas descrições, bolinhas de tecido amarradas junto às vestes ou ao berço do bebê, muitas vezes, contendo dentro dela objetos adocicados, para sossegar os pequenos.

Antes mesmo disso, há escavações feitas em tumbas de bebês (há 3000 anos), aonde foram encontrados objetos em formas de bichos com um orifício onde eram introduzidos alimentos doces, como mel.

Portanto há uma transmissibilidade cultural mais arraigada em nós, do que supomos, a repeito de nosso hábitos contemporâneos. Verdade que, essa bolinha foi se sofisticando de acordo inclusive com a segurança do uso: para evitar engasgos, asfixias, contaminação em função da dificuldade de higienização; chegando aos dias atuais com os modelos mais modernos que são as ortodônticas, de silicone, BPA free.

Tão antiga quanto essa cultura é a polêmica e controvérsias envolvendo seu uso.

Os bebês sugam por: – reflexo vital (manutenção da sobrevivência);

– pelo prazer ligada a esta prática, formando uma tríade: em um primeiro momentos a sucção está ligada com a saciedade da fome, ao contato com outro (a mãe), a ligação afetiva.

A sucção da chupeta é chamada de sucção não nutritiva.

Diversas áreas (Fonoaudiologia, Pediatria, Odontologia, Psicologia)e em diferentes abordagens profissionais apontam pontos prós e contra o uso e o momento da retirada.Destaco alguns deles:

– sendo inato o a necessidade de sugar, quando se oferece a chupeta ao invés do seio materno, diminui o que a Pediatria denomina de “livre demanda”. Ou seja, o bebê mama menos e consequentemente a mãe produz menos leite (já que o leite é produzido, sobretudo, pela estimulação). Ou seja, quando se oferece a chupeta, estudos apontam que o desmame do seio materno ocorre antes, do que, comparativamente, com crianças que não usaram chupeta.

– quando não se oferece chupeta e a necessidade de sugar se apresenta intensa, mesmo mamando do seio, há uma grande possibilidade de o bebê sugar do dedo.

– o uso contínuo e continuado da chupeta pode prejudicar o desenvolvimento da fala;

– o uso da chupeta pode causar danos da arcada dentária, e como consequência prejuízos na funções estomatognáticas (mastigação, deglutição, respiração e fala);

– chupeta é usada como um acalentador, um substituto do seio materno;

– muitas vezes concomitante à chupeta usa-se substâncias açucaradas que, comprovadamente, dão relaxamento aos bebês pequenos, diminuindo algumas dores inerentes aos primeiros 3 meses.

– a má higienização da chupeta pode causar infecções intestinais, e outras doenças como cáries.

– a oferta da chupeta aumenta o limiar de dor dos recém-nascidos, melhora a qualidade do sono e, portanto, aumenta o ganho do peso. O mesmo ocorre nos bebês amamentados durante uma situação de stress (ao invés de usarem a chupeta).

Como o gesto de sugar não está ligado exclusivamente à nutrição, mas há uma memória emocional relacionado ao prazer do contato, temos que ter cautela na orientação da retirada da chupeta.

São conhecidos os males do uso constante da chupeta e por muito tempo.  A recomendação é que em torno dos três anos a criança não faça mais uso da mesma, isso em todas as áreas.

O fato é que, ao longo do tempo, o uso se torne mais restrito. Que a chupeta não esteja de fácil acesso à criança todo o tempo.

É também mais do que sabido que ela ocupa, em grande parte dos casos, uma função intermediadora, de ponte, entre a mãe e a criança, como se de alguma maneira, ela ligasse a criança à mãe, como uma substituta a sua presença.

Pensando em todos esses aspectos, a retirada da chupeta não pode ser uma decisão tomada apenas com base na idade da criança.

Minha sugestão é a de que se observe o contexto geral!

Quanto mais assegurada estiver a rotina da criança, mais segurança ela estará no “desmame” da chupeta.

O contrário também é verdadeiro. Mudanças importantes na rotina da criança como gravidez materna, separações, viagens, nascimento de irmão, falecimento, desfralde, dificultam o “desmame” da chupeta.

Vale a pena bater um papo com seu filho, mesmo que ele seja pequeno, sobre a retirada da chupeta. Avisá-lo. Negociar com ele. Fazer combinados… aliás, esta é uma linguagem que as crianças compreendem muito bem!

E daí… há uma série de conversas, de permutas, de vendas de chupetas das crianças aos pais… histórias boas! Convido quem quiser deixar aqui registrada a sua.

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