Dicas da Primeira Papinha

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Que pais não tiveram dificuldade ao oferecer a primeira papinha para seus filhos?

A idade da primeira papinha varia muito, de acordo com a orientação do pediatra. De praxe, quanto mais cedo for o desmame do leite materno, mais cedo será introduzida a papinha.  Às vezes, muito antes da criança ter sustentação de pescoço.

O cardápio, igualmente, pode variar de acordo com a orientação médica, que é fundamental que seja seguida.

Algumas orientações importantes para tornar este momento menos angustiante e cada dia mais prazeroso:

Posição do bebê:

– no mínimo 45 graus. Nunca deitado! (de preferência no carrinho ou no cadeirão);

– Certifique-se de que você e o bebê possam ter contato ocular, e ele possa sentir segurança em seus gestos;

Temperatura da  papinha salgada:

– morna, quase fria;

Quantidade de alimento oferecido:

– Fazer uso de talher adequado a cada idade;

– A quantidade de alimento oferecido na colher deve ser proporcional à idade de bebê, à cavidade oral, ao controle que ele já tem na região, à maturidade neuro-psico-motora;

– A primeira vez que o bebê ingere a papinha, (tanto de frutas, como salgada) costuma estranhar o alimento: a consistência, textura, temperatura, sabor, além de “não saber o que fazer com o alimento dentro da boca”. Afinal, até então, ele apenas mamava, não mastigava, ou mascava (são tarefas diferentes);

– Ofereça o alimento. Pode acontecer de, nas primeiras vezes que for oferecido, o bebê ingerir  2 ou 3 colheres (normal!). Mas não desista. Aos poucos ele vai apreciando o sabor e aprendendo movimentar a boca de maneira adequada, ingerindo cada vez  quantidades maiores;

– O bebê faz sim (todos fazem) careta ao experimentar algo novo. Trata-se de um reflexo. Cuidado com interpretações equivocadas do tipo: “meu filho não gosta de mamão. Toda vez que come mamão faz careta e chora!”;

Eles estranham, não sabem o que fazer com o alimento na boca, parte engolem, parte cospem, às vezes chegam a fazer ânsia (já esperado!) –isso não significa que ele esteja com “nojo na comida” (como já ouvi repetidas vezes em discursos de pais no consultório. Engano!).

Em outra oportunidade, ofereça novamente. Não desista de oferecer certos alimentos em função dessas primeiras experiências por uma “pseudo” recusa.  Experimente nova consistência.

Claro que eles preferem, entre as frutas, as mais docinhas, então comece por elas (por ex.: banana, maçã, pêra).

Quando maiores, ofereça o alimento na mão deles e prepare a máquina fotográfica! Diversão garantida com pedaços de manga (bem docinho), melancia…

– importante: oferecer o alimento em momento tranqüilo (inclusive para quem oferece!);

– Encontre um bom horário na rotina da criança para a oferta, que não coincida, por exemplo, com o horário do sono e não seja seguido ao horário do leite. Ou seja, a criança deve estar com apetite e disposta para essa empreitada.

– as primeiras papinhas podem ser pastosas, bem amassadinhas, com tudo muito bem cozido. O bebê, num primeiro momento (de acordo com a maturidade neurológica e com a idade) passa de sugar a mascar os alimentos.

– é fundamental que, ao perceber que a criança está muito bem nesta “fase”, vá se engrossando este alimento, tornando uma refeição solida (arroz, feijão, saladinha, carne, legumes, por ex., tal como ingerimos), e nesta medida vai exigir que mastigue, ao invés de mascar.

P.S.: é possível sim mastigar sem dentes. O bebê mastiga esmagando os alimentos, mas não consegue triturar por exemplo pedaços de alimento muito fibroso, resistente (como um pedaço de churrasco, por ex.) , que não se desfaça  com facilidade.

Mastigar cansa (verdade!). E nesta medida, as crianças, em muitos casos, passam a ingerir uma quantidade um pouco menor do que ingeriam antes (quando o alimento era pastoso, como sopinha), o que pode gerar preocupações para pais.

Sugiro que haja alternância entre as refeições (pastosas e sólidas), de modo que todos (pais e bebês) sintam-se seguros e confortáveis.

A meta é que ao completar um ano, a criança tenha condições de ingerir em todas as refeições alimentos sólidos e esteja fazendo uso de copos (com bico).

Entendo que muitos ainda façam uso de mamadeiras e chupetas, que não sou contra! Mas que o uso seja cada vez mais reduzido e que revezem entre os bicos da mamadeira e do copo- sem válvula anti vazamento( hein?!). Assim, toda a estrutura da região oral torna-se apta para a próxima grande aquisição por esta região: a fala!

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